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Protegido: Orientação para Intervenção da AS/USP – Tosse Convulsa

  • Transmissão: Via aérea (gotículas); contacto direto (secreções respiratórias).
  • Período de incubação: 4 a 21 dias (geralmente 7-10 dias).
  • Período de transmissibilidade: Desde o início dos sintomas até 5 dias após início de antibioterapia adequada ou durante 21 dias após início de sintomas, na ausência de tratamento adequado.
IntervençãoDefiniçãoTempoMétodo
Interrupção de transmissão pelo doenteIsolamento para via de transmissão por gotículas.Logo que possível, isolamento durante o período de transmissibilidade.Precauções básicas de isolamento: quarto individual ou coorte (exclusão social).
Evicção Escolar e LaboralSão afastados temporariamente da frequência escolar e demais atividades desenvolvidas nos estabelecimentos de educação e de ensino os:
a) discentes, pessoal docente e não docente quando atingidos por tosse convulsa;
b) discentes, pessoal docente e não docente nas situações em que coabitem ou tenham contatos com indivíduos atingidos por tosse convulsa.
Caso: o afastamento da frequência escolar deve manter-se durante 5 dias após o início de antibioterapia correta. Na ausência de tratamento deve manter-se o afastamento pelo período de 21 dias após o estabelecimento dos acessos paroxísticos de tosse;
Contactos próximos: o afastamento da frequência escolar deve manter-se durante um período mínimo de 5 dias após o início de antibioterapia profilática adequada, nos indivíduos com menos de 7 anos de idade e não corretamente vacinados.
Dar cumprimento à legislação em vigor referente à evicção escolar (Decreto Regulamentar n.º 3/95 de 27 de Janeiro).
Identificação de ContactosContactos próximos domiciliários:
membros do agregado familiar.
 
Contactos próximos, em instituições:
com pernoita no mesmo quarto durante o período de infecciosidade.
 
Grupos prioritários de intervenção:
a) indivíduos vulneráveis (com risco aumentado de complicações e doença severa):
– lactentes com < 2 meses de idade, não imunizados (nascidos com > 32 semanas de gestação), cujas mães não receberam uma dose de vacina Tdpa depois das 20 semanas de gravidez e até pelo menos 2 semanas antes do parto1;
– lactentes com < 2 meses de idade, não imunizados (nascidos ≤ 32 semanas de gestação), independentemente do estado vacinal da mãe;
– crianças não imunizadas ou parcialmente imunizadas com ≥ 2 meses de idade, independentemente do estado vacinal da mãe.
b) indivíduos com risco aumentado de transmissão de infeção a indivíduos vulneráveis:
– grávidas: apenas se >32 semanas de gestação e que não receberam uma dose de Tdpa pelo menos 1 semana antes da exposição;
– profissionais de saúde (que estabelecem contacto com crianças e grávidas);
– profissionais cujo trabalho envolve um contacto próximo, regular e prolongado com crianças com esquemas vacinais incompletos;  
– membros do agregado familiar que contactam com crianças com esquemas vacinais incompletos.
Logo que possível identificar os contactos com o caso, nos 21 dias após o estabelecimento dos acessos paroxísticos de tosse.Entrevista ao caso ou responsável legal do caso (se aplicável). Registar os contactos identificados no formulário da plataforma informática de suporte ao SINAVE.
Vacinação Pós-ExposiçãoContactos.Logo que possível.Dar cumprimento ao Programa Nacional de Vacinação, completando esquemas vacinais em atraso.
Imunoglobulina Pós-ExposiçãoNão aplicável. Não aplicável.Não aplicável.
QuimioprofilaxiaGrupos prioritários de intervenção.Logo que possível, até 21 dias após o início dos acessos paroxísticos de tosse no caso.Ver esquema terapêutico nos quadros seguintes.
Vigilância ClínicaContactos próximos.Durante os 21 dias após o início dos acessos paroxísticos de tosse no caso.Autovigilância.
Os contactos devem ser informados sobre a doença e aconselhados a avaliação médica se iniciarem sinais ou sintomas sugestivos de tosse convulsa.
1 Em cada gravidez, uma dose da vacina contra o tétano, difteria e tosse convulsa (Tdpa, doses reduzidas), deve ser administrada entre as 20 e as 36 semanas de gestação, idealmente até às 32 semanas. A vacinação com Tdpa durante a gravidez deve ocorrer após a ecografia morfológica (recomendada entre as 20 e as 22 semanas + 6 dias).
2 A idade mínima para DTPa 1 é de 6 semanas, mas em situação de surto, a idade mínima pode ser de 4 semanas, com prescrição médica, caso exista vacina trivalente. O intervalo mínimo entre a 1ª e 2ª dose é de 4 semanas.

Esquema terapêutico de quimioprofilaxia na tosse convulsa:

Azitromicina1. Precauções: Considerar outro fármaco na presença de prolongamento do intervalo QT, história de torsades de pointes, síndrome do QT longo congénito, bradiarritmias, insuficiência cardíaca descompensada, hipocalemia e hipomagnesemia descompensadas, consumo de antiarrítmicos da classe IA e III. Não recomendado nas grávidas.

IdadeDoseEsquema Terapêutico
<6 meses10 mg/Kg/dia1x/dia, durante 5 dias, (via oral)
6 meses10 mg/Kg/dia
(máx. 500mg) no 1.º dia; 5mg/Kg/dia (máx. 250mg) do 2.º ao 5.º dia
1x/dia, durante 5 dias, (via oral)
Adultos500 mg/dia no 1.º dia; 250mg/dia do 2.º ao 5.º dia1x/dia, durante 5 dias, (via oral)
1 Fármaco de eleição para crianças com <1ano de idade.

Claritromicina. Precauções: Não recomendado nas grávidas.

IdadeDoseEsquema Terapêutico
<1 mêsNão recomendadoNão recomendado
≥1 mês15 mg/Kg (máx. 1g/dia) dividido em duas tomas diárias12/12h, durante 7 dias (via oral)
Adultos1 g/dia dividido em duas tomas diárias12/12h, durante 7 dias (via oral)

Eritromicina2. Precauções: Menor adesão terapêutica. Efeitos secundários (p.e. alterações gastrointestinais, estenose pilórica hipertrófica infantil)

IdadeDoseEsquema Terapêutico
<1 mêsNão recomendadoNão recomendado
≥1 mês40-50mg/kg/dia (máx 2g/dia) dividido em 4 doses diárias6/6h, durante 14 dias (via oral)
Adultos2g/dia dividido em 4 doses diária6/6h, durante 14 dias (via oral)
2 Fármaco de eleição nas grávidas.

Trimetropin + sulfametoxazol3. Precauções: Contraindicado na gravidez. Efeitos secundários gastrointestinais, hipersensibilidade cutânea e, raramente, Sindrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica e necrose hepática.

IdadeDoseEsquema Terapêutico
<2 mesesNão recomendadoNão recomendado
≥2 mesesTrimetropim 8mg/kg/dia, Sulfametoxazol 40mg/kg/dia; dividido em duas doses diárias12/12h, durante 14 dias
AdultosTrimetropim 320mg/dia, Sulfametoxazol 1600mg/dia; dividido em duas doses diárias12/12h, durante 14 dias (via oral)
3 Utilizado quando há suspeita de resistência aos macrólidos ou quando o seu uso está contra-indicado.
Bibliografia
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  • Clark T. Pertussis. In: Heymann DL. Control of Communicable Diseases – Manual. 20.ed. Washington, DC: APHA; 2015. P. 449-454.
  • DGS. Norma n.º 18/2020, de 27/09/2020. Programa Nacional de Vacinação 2020. Lisboa: Direção-Geral da Saúde; 2020.
  • Faulkner A, Skoff T, Cassiday P. et al.Chapter 10: Pertussis. In: Hamborsky J, Kroger A, Wolfe S. Manual for the surveillance of vaccine-preventable diseases. Centers for Disease Control and Prevention. Atlanta, GA; 2008.
  • Liang J, Weinbaum C, Moro P, Martin S.Chapter 16: Pertussis. In: Hamborsky J, Kroger A, Wolfe S. Centers for Disease Control and Prevention Epidemiology and Prevention of Vaccine-Preventable Diseases. ed. Washington D.C: Public Health Foundation; 2015. P 261-278.
  • Ministério da Saúde. Decreto Regulamentar n. º 3/95 de 27 de Janeiro. Doenças transmissíveis, evicção escolar e períodos de afastamento. Lisboa; 1995.
  • Sociedade de Infecciologia Pediátrica. Linhas de Orientação para Diagnóstico e Terapêutica da Tosse Convulsa. 2010. URL: https://www.spp.pt/UserFiles/file/Protocolos_SPP/Tosse_Convulsa_2010.pdf Acedido a 25/01/2024.
  • WHO. Vaccine-Preventable Diseases Surveillance Standards: Pertussis. World Health Organization, 2015.

Data da última atualização da página: 25/01/2024

Autoria: Área Funcional de Vigilância Epidemiológica, Departamento de Saúde Pública

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